Sunrays

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Situações desesperadoras

Published by Adriana Neumann under on 5:39:00 PM
Sábado à noite. O rapaz é convidado a conhecer os pais de sua nova namorada, no jantar de família. Chegando lá, depara-se com a iguaria que mais detesta na vida: língua. E como se não bastasse, a mesma houvera sido preparada pela avó da donzela, especialmente para ele.

Serve-se de um pouco, começa a comer, a comida dança em sua boca e ele se enche de refrigerante para ajudar a descer. Depois de muito esforço, suando frio, termina a refeição e a doce velhinha exclama:

- Estou vendo que você gostou, filhinho!

E tasca mais duas colheres do quitute em seu prato.

O rapaz simples e educado, filho único, que não mencionou à família que sofria da síndrome do intestino irritável, começa a sentir-se mal, depois de encarar o segundo tempo. Ruídos começam a ser ouvidos, vindos de seu abdômem, e ele é tomado de um estado entre a vergonha perene e o pavor total.

Levanta-se bruscamente da mesa e corre para o lavabo, tão rapidamente que sua futura sogra não tem tempo de avisá-lo de que o recinto encontra-se em obras. Isso ele só descobre quando já está sentado no vaso sanitário e vê que não há papel higiênico. Começa a suar frio novamente, até que encontra a camiseta puída deixada pelo pedreiro, e se limpa.

Seguro de que nada mais de errado iria ocorrer, ele dá a descarga. O lavabo está em obras porque, dentre outras coisas, o sistema de descarga é antigo, com aquela caixa em cima do vaso e uma cordinha pra puxar, que nunca consegue fazer o serviço completo.

O rapaz fecha a tampa do vaso e puxa a cordinha. Levanta a tampa e percebe, horrorizado, que não havia descido tudo. Tenta puxar a cordinha mais uma vez e se lembra que tem que esperar a caixa encher. Aguarda e, nesse meio tempo, ouve socos na porta:

- Rapaz, está tudo bem?

É o sogro, diplomata aposentado e perfeito cavalheiro, quem pergunta.

Cinco minutos já se passaram. O rapaz puxa a cordinha novamente. Abre a tampa do vaso e percebe, desta vez em total desespero, que sobraram alguns resíduos. Não sabe mais o que fazer. O odor já ultrapassara os limites do lavabo e, nesse instante, já invade a sala de jantar e contamina o tiramisu que seria servido de sobremesa.

Não há mais jeito. O rapaz pula a janela e desaparece no meio da noite. Ninguém nunca mais o viu e sua namorada ainda o pranteia. Dizem que, nas noites de luar, um vulto é visto por aquelas paragens. Ele corre com as calças na mão e clama por um rolo de papel higiênico e um frasco de desodorizador sanitário.

Mestres irritantes e discípulos idem

Published by Adriana Neumann under on 6:37:00 PM
Se tem uma coisa que me irrita nesta vida é o tal do PPS.

Eu queria realmente descobrir o inventor dessa praga, só pra presenteá-lo com o troféu de chato do milênio. Tudo bem, vou ser justa: esse não é o responsável pela chatice. Responsável mesmo é o infeliz usuário da internet que resolveu usar a ferramenta para disseminar grudentas mensagens de autoajuda. Sim, vamos combinar aqui: mais irritante mesmo que PPS é PPS de autoajuda.

Aliás, já reparou que nesses arquivos sempre há um mestre sádico e um discípulo tapado? Sim, é verdade, pode reparar!

Ontem mesmo eu recebi um PPS que contava uma história de um mestre que mandava um discípulo ir com um balaio buscar água umas trocentas vezes no poço, só pra mostrar que a mensagem era como a água, que até podia não ser retida, mas lavava aquele que a ouvia. Outro dizia que o mestre mandava dois pobres discípulos subir o monte com grãos de feijão dentro do sapato, só pra mostrar a diferença entre conhecimento entre conhecimento e sabedoria.

Não bastava dizer pros caras que a mensagem lava e que conhecimento é isso e sabedoria é aquilo? Não, os pobres tem que ser obrigados a executar tarefas hercúleas pra se tocar de coisas elementares. Então, das duas, uma: ou os discípulos são mesmo muito burros ou os mestres é que são os verdadeiros discípulos - do Marquês de Sade!

E não vou nem falar aqui daquelas musiquinhas insuportáveis, no melhor estilo Liberace, e naquelas letrinhas que vão caindo leeentaaameeenteee ou girando e deixando a gente tonta.

Portanto, nem precisa me perguntar o que eu vou mandar você fazer com o próximo PPS que me mandar, né?

Efemérides bizarras

Published by Adriana Neumann under on 6:02:00 PM
Parece que não tenho mais o que fazer na vida... uma trouxa de roupa pra pendurar no varal e eu aqui lendo sobre certas bizarrices que existem no mundo, das quais a gente só tem conhecimento graças à santa internet.

Fui cair num site que falava de datas importantes, as tais efemérides. Acabei descobrindo que hoje é o dia da tia solteirona. Sério! Não estou inventando!

Eu fico a pensar no motivo de criarem um dia dedicado àquelas que não encontraram a tampa da sua panela. Sabemos que esses dias são geralmente criados pra movimentar o comércio, mas como isso seria possível no caso de presentear tias solteironas?

Imagino a cena: a tia sentada na sua cadeira, lixando as unhas depois de ter arrumado suas gavetas pela duocentésima vez naquela semana, de bobs, e seu sobrinho chegando com um presentinho, provavelmente anáguas ou um soutien bege, cheio de boas intenções.

A tia ficaria surpresa e perguntaria o porquê da lembrança. O ingênuo diria o motivo e sairia da casa de sua tia com um galo na cabeça, surgido depois de levar uma frigideirada certeira.

Fiquei sabendo também que dia 22 foi o dia dos amantes, mas também o dia sem carro. Aí eu pensei: nada mais inadequado. Como comemorar o dia dos amantes sem carro? Subir o motel a pé não dá, né? De bicicleta é pior, porque os motéis geralmente ficam no alto de morros - e o fôlego, como é que fica?

Restaria aos amantes ir ao motel de ônibus. Mas, existem os inconvenientes. Vai que pinta um clima no meio de um lotação e as preliminares começam ali mesmo? Os amantes afoitos correriam o risco de terminar a noite na cadeia, presos por atentado ao pudor, e não no motel. Sei que existem taras pra todos os gostos, mas não acho que seria esse o caso. Sem contar que o problema da subida da ladeira a pé não estaria resolvido. E pior seria se vários casais de amantes usassem aquela linha ao mesmo tempo: subir ladeira de motel em carreirinha é algo que destrói qualquer clima.

Então, a última solução seria fretar um ônibus especialmente para tal fim. Aquele seu colega de trabalho prestativo e agitador de todas as festas tomaria a frente na organização do evento e falaria:

- Aê gente, vou correr uma lista aqui pra quem estiver interessado em fretar um ônibus pra ir ao motel Latin Lover comemorar o dia dos amantes. É só colocar seu nome e nome do amante, beleza? Vou recolher a lista no final do dia.

Claro que, findo o expediente, a lista estaria vazia, porque amantes são como frieira: gostosos de coçar e mexer, às vezes se conservam por anos, mas ninguém conta que tem.

Há outras efemérides a se comemorar. Três de outubro é dia de presentear as abelhas. No dia 4 de outubro sugiro que o leitor não vá às compras, pois as lojas estarão lotadas. Afinal, é dia do incorrigível! Considerando a quantidade de teimosos que se recusam a corrigir pequenos vícios pessoais, chegarão a faltar mimos nas casas comerciais.

Dia 31 de outubro é o dia das bruxas e das comissárias de bordo e eu fico a me perguntar se é porque as duas voam.

E já pensou presentear uma comissária de bordo pelo seu dia e ela pensar que é por causa do dia das bruxas? Mais uma frigideirada na cabeça.

Pior se essa mesma comissária for a tia do começo da história. O sobrinho não só levará duas frigideiradas na cabeça - uma em 25 de setembro e outra em 31 de outubro - como terá seu nome definitivamente excluído do testamento de sua queridíssima parenta.

Mas, descobri uma coisa linda, que me deixou emocionada. Vinte de outubro, meu aniversário, é o dia do poeta. Não é pra qualquer um, né?

Aliás, se alguém quiser me presentear nesse dia, eu adianto que quero um guarda-chuva amarelo. Não vale uma sombrinha. Eu quero um guarda-chuva mesmo, daqueles enormes, com cabo em forma de J. E tem que ser amarelo, porque o meu pink está pelas últimas!

Uma canção para recordar

Published by Adriana Neumann under on 6:59:00 PM



Talvez quem sabe um dia
Por uma alameda do zoológico ela também chegará
Ela que também amava os animais
Virá sorridente assim como está na foto sobre a mesa

Ela é tão bonita...
Ela é tão bonita que na certa eles o ressuscitarão
O século trinta vencerá
O coração destroçado já pelas mesquinharias

Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estelar das noites inumeráveis

Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta e ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as idéias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe, minha vida
Para que não mais existam amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha que sacrificar-se
Por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje a família se transforme
E o pai seja pelo menos o Universo
E a mãe seja no mínimo a Terra.


Hoje, nas minhas andanças pelo Youtube encontrei essa canção. Fiquei muito emocionada, porque, na minha adolescência, lá pelos anos 80, ela era uma das minhas preferidas. Cada vez que a ouvia, ficava extasiada pela beleza e força daquelas palavras.

Depois, ela foi parar no fundo do baú do esquecimento, até ser resgatada hoje. Aí vejo como esse texto, mesmo passado tanto tempo, ainda me toca tão profundamente, a ponto de me levar às lágrimas.

Fiz questão de transcrevê-lo aqui e, mesmo sozinha, declamá-lo em voz alta, para digerir lentamente cada palavra e com cada uma mais uma vez me deleitar.

Seu nome é "O Amor" e foi composta por Caetano Veloso, a partir de um poema de Wladimir Mayakovski, grande poeta russo.

Enjoy!

Franquias

Published by Adriana Neumann under on 12:40:00 PM
Uma coisa que descobri recentemente é que Deus, além de ter criado os céus e a terra, também criou um sistema comercial muito utlizado atualmente, que é a franquia.


E antes que me critiquem os teólogos de plantão, eu me explico e dou o maior e mais bem sucedido exemplo de franquia existente: as mães.


Deus, o Grande Franqueador, concede àquelas senhoras que desejam perpetuar seu nome através da geração de filhos, uma marca registrada, reconhecida e amplamente aceita por sua qualidade e preço. Cada uma dessas senhoras constitui uma nova empresa - Mães ME - e todas se associam ao Grande Franqueador, uniformizando aparência, atitudes e estratégias de abordagem do consumidor final, doravante chamado simplesmente de filho.


Assim, seja aqui, seja no Indubesquistão, Mães ME agirá sempre da mesma forma, recomendará casaquinhos e boa alimentação a seus filhos e a eles dirá sempre as mesmas carinhosas e instrutivas frases. Aliás, atire a primeira mamadeira quem nunca ouviu pelo menos uma dessas:


"Pare de chorar, ou eu lhe darei um motivo pra você chorar de verdade".


"Onde você vai? Com quem? A que horas você acha que vai voltar"?


"Um dia você vai reconhecer meu sacrifício, quando for mais velho".


"Mal posso esperar até que você tenha filhos pra saber como é".


"Se seus amigos pularem num precipício, você irá pular também"?


"Porque eu estou dizendo".


Ao ver seu consumidor com comportamento indesejado, Mães ME sempre falará baixinho, com olhar enviesado e cortante, do mesmo jeito enigmático:


"Em casa nós conversamos, mocinha".


Mães ME deveria ser copiada por todos aqueles que quiserem adotar o modelo, não só pelo alto padrão de qualidade, como também pelo preço imbatível que consegue praticar, já que em troca de educação, carinho, amor, atenção, comida e roupa lavada, é cobrada apenas sua dedicação e fidelidade eterna.


Ainda na duvida? Assista ao vídeo e tire suas conclusões:


video

Adote!!!

Published by Adriana Neumann under on 6:07:00 PM



Participe da campanha "Adotar é tudo de bom". Entre no site e assista ao video promocional da campanha. A cada visualização, a Pedigree doará um prato de ração para cães que estão em abrigos.

Como eu digo sempre, a bondade é esperta. A Pedigree tem um marketing genial, atingindo diretamente as pessoas que amam os cães (eu mesma já troquei a ração da Pamina só por causa da campanha), e passa a vender mais. Em consequência, menos cãezinhos passarão fome.

A Vingança

Published by Adriana Neumann under on 3:16:00 PM
Aquela era a gota d'água! Era a segunda vez naquela semana que ela não conseguia entrar no banco.

Alguns meses atrás, sofrera um acidente e recebeu pinos e parafusos em algumas partes do seu corpo. Depois disso, era aquele constrangimento: por todo detetor de metais que passava, era barrada e encarada como se meliante fosse. E aquilo estava acontecendo pela segunda vez só naquela semana, sem contar as outras.

Toda vez era a mesma ladainha. A porta de entrada do banco era travada e se iniciava o mesmo diálogo entre ela e o segurança do banco:

- A senhora retirou todos os objetos de metal?

- Sim.

- Procure e veja se faltou algum: moedas, tesouras, serra-fita, metralhadora, machado, guilhotina. Algum objeto dessa natureza?

- Ah sim, encontrei minha faca de destrinchar aves no fundo da bolsa. Serve?

- Pois coloque-a no compartimento ao lado e passe pela porta.

- Pois não.

Piiiiiii (barulho de porta se travando) !!!!!!

- Meu senhor, já tirei tudo. Só se o senhor quiser que eu tire meus pinos e parafusos também.

E apelando para o sentimental, com contornos de novela mexicana:

- Não faça isso com uma pobre deficiente que carrega esse peso em seu corpo e apenas deseja um lugar ao sol! Deixe-me entrar!!!

- Só se a senhora deixar eu olhar sua bolsa.

- Não deixo. Não permito que invadam minha privacidade.

Não tinha jeito, o segurança não cedia de maneira alguma. Então, começava a dança sádica de chama-o-gerente-o-superintendente-e-a-pqp. Ela chegava a sentir até um certo prazer em irritar o segurança e fazê-lo sair do alto de sua posição para chamar o gerente.

Mas, por mais que aquilo tenha sido divertido um dia, agora já estava perdendo a graça. E aquela foi a gota d'água: pela segunda vez naquela semana e décima oitava desde o seu acidente, ela não conseguia entrar no banco. Aquilo não podia ficar assim.

Resolveu se vingar. Saiu da agência resoluta e entrou no sex shop mais próximo. Pediu um consolo, o maior que havia. A vendedora mostrou um de 25 cm, cor-da-pele. Não era suficiente: ela escolheu um do mesmo tamanho, mas verde alface, que brilhava no escuro. Empolgou-se e ainda escolheu um par de algemas, um vibrador de coelhinho, um chicote e uma calcinha de plumas.

À noite, encontrou-se com as amigas, mostrou-lhes seus novos brinquedinhos e contou-lhes seu plano maquiavélico. Elas, que já a consideravam meio excêntrica, acharam que ela endoidou de vez. No entanto, disseram que não perderiam aquela cena por nada desse mundo.

Assim foi que, no dia seguinte, ela se dirigiu à mesma agência bancária do dia anterior, pronta para executar seu plano de vingança.

Piiiiiii (barulho de porta se travando) !!!!!!

- A senhora retirou todos os objetos de metal?

- Sim.

- Procure e veja se faltou algum: moedas, tesouras, serra-fita, metralhadora, machado, guilhotina. Algum objeto dessa natureza?

- Não.

E ainda dando uma última chancer ao seu algoz, com olhar desamparado:

- Por favor, deixe-me entrar!

- Só se a senhora deixar eu olhar sua bolsa.

Essa foi a deixa, tudo o que ela precisava.

- Claro! Por favor, segure aqui...

E entregou ao segurança o tal consolo verde alface que brilha no escuro.

- Se-senhora, não precisa me mostrar mais nada, 'tá bom assim.

- Não, eu faço questão de mostrar TUDO o que há na minha bolsa!

E continuou tirando seus brinquedos da bolsa e os colocando no tal compartimento ao lado da porta, primeiro o vibrador, depois o par de algemas, o chicote e, por fim, a calcinha de plumas.

O segurança não sabia o que fazer. Pensou em chamar a gerência, mas não conseguia sequer se mexer. Uma pequena turba começou a ser formar, velhinhas passavam mal e um pastor da Igreja dos Óleos Ungidos do Sétimo Dia da Nova Profecia, que estava ali para depositar o dízimo da semana, esbravejou, dizendo que era o demônio que ali se manifestava. Ela aproveitou para incorporar a pomba gira e ainda pedir mé e ebó.

Pronto, a confusão estava armada e ela assistia a tudo com um sorrisinho no rosto e a sensação de dever cumprido.

Depois disso, nunca mais foi proibida sua entrada na agência bancária, ainda que ela tenha sempre na bolsa a sua Taurus calibre 38, que passou a usar para defender sua honra que anda, por assim dizer, um tanto maculada.

Curtas (3)

Published by Adriana Neumann under on 1:30:00 PM
A lingerie ideal para toda mulher: soutien tomara que caia com calcinha tomara que tire.
_________

Afinal, se o cavalo de Alexandre era Bucéfalo, Acéfalo seria a mula sem cabeça?

Classificados

Published by Adriana Neumann under on 4:20:00 PM

Amores Impossíveis

Published by Adriana Neumann under on 5:19:00 PM
Hoje foi o dia da choradeira por conta de histórias de amor. Comecei com o filme 'Desejo e Reparação', com a Keira Knightley e Mr. Tumnus (escrevo assim porque não sei o nome do ator, só do personagem em As Crônicas de Nárnia). Com final trágico e triste, ele não é recomendado para quem gosta de comédias românticas e totalmente inadequado para um dia chuvoso e frio, como hoje.



Como estava achando que tinha chorado pouco, fui ouvir Francesca da Rimini, de Rachmaninoff.

Essa ópera conta a história de mais um amor impossível: Francesca foi compelida por seu pai a casar com o feioso Giovanni Malatesta que, por saber dessa sua condição ingrata, determinou que o casamento fosse por procuração, outorgada a seu irmão, o bonitão Paolo.



É claro que Francesca e Paolo se apaixonam e é claro que a história não termina nada bem, já que eles são surpreendidos pelo marido traído que mata os dois. E, como se não bastasse, ela vai parar, segundo Dante em sua Divina Comédia, no segundo círculo do Inferno.

A propósito, nada se fala sobre o destino do marido, que mata dois semelhantes, donde se conclui que nas mulheres tudo se perdoa, menos ser bonita e sexualmente realizada. Mas, isso é assunto pra outro post...

Quanto à ópera, ela é linda, como tudo de Rachmaninoff, confira:



Mas, agora pergunto: por que os mais belos poemas e as mais belas canções são justamente sobre amores impossíveis? Será que o sofrimento é realmente inspirador?

Selo

Published by Adriana Neumann under on 10:44:00 AM

Ganhei esse selo da minha amiga Chris, do excelente Astrologia e Catolicismo.


"Eu sou Luz e quero iluminar o mundo".

As regras criadas por quem começou a corrente são estas:

1) Mencionar quem lhe ofereceu o selo.
2) Completar a frase "Eu sou Luz e quero iluminar..."
3) Passar o selo para até 15 blogs que consideremos de LUZ, avisando-os da oferta.

Aqueles que, cada um do seu jeito, iluminam os meus dias são:


Chris Frenzel et all..., por me lembrar que uma mulher pode ser mil e uma coisas - mãe, filha, neta, esposa, chef, trabalhadora - e ainda continuar um ser pensante e sabedor do seu lugar nesta vida;


Fluídos de Luz, por me fazer ver a vida de outro ângulo e sentir orgulho do meu próprio nome (rs);


Hermes Fernandes, por me fazer ver Deus em todas as coisas, mesmo quando não consigo enxergá-lO;


Hiperfocus, por me fazer viajar através das lentes de um incrível e talentoso fotógrafo que, de quebra, também mostra as bizarrices da vida virtual;


Pavablog, por me deixar por dentro das loucuras do mundo de um jeito deliciosamente divertido, sem deixar de me fazer pensar melhor sobre elas;


Pensamentos de Uma Batata Transgênica, por me deixar sempre por dentro das novidades das telas - inha e ona - e ainda me fazer dar umas boas risadas;


Redatoras de Merda, por ter-me feito rir como há muito com um texto e, assim, me inspirar a ser, em minhas letras, mais do que penso poder ser.

Vinhos

Published by Adriana Neumann under on 2:30:00 PM
Ontem foi dia de um jantar harmonizado, onde foram servidos pratos deliciosos acompanhados do mais delicioso vinho chileno.

Eu adoro esses eventos, confesso que mais pela comida do que pela bebida, já que de vinhos eu entendo lhufas. Meus conhecimentos se limitam a saber o que combina com carne, massas, peixe e sobremesa - e olhe lá! Sei também que Sangue de Boi não costuma ser servido em jantares finos e que Catafesta geralmente é apreciado apenas nos bailões da Abecelesc, onde tocam Chuvarada&Garoinha e Os Estancieiros. Portanto, minhas noções de enologia se limitam a não fazer feio em um lugar elegante.

Mas, o que gosto mesmo nessas ocasiões é da pompa e do cerimonial. Aquelas pessoas elegantes e graves, enfiando seus poderosos - e algumas vezes plastificados -narizes em taças de cristal e dizendo das sensações surgidas a partir daquela absorção de aromas.

Sem dúvida, a criatividade impera. Um determinado conviva disse que, ao sentir o sabor daquele vinho, esse o remeteu a uma manhã de outono na Toscana, com o cheiro do orvalho a acariciar a grama verde. Poesia pura! Fiquei encantada, embora ficasse na dúvida se ele estava sentindo mesmo aquilo tudo ou se, na verdade, ele queria mais era contar que tinha estado na Toscana.

Outro ser presente cantou louvores ao vinho servido com a sobremesa, um frutado que trazia consigo o abricó e o grapefruit. Fiquei sem entender nada. Afinal, para mim o vinho era muito bom, mas tinha gosto de... vinho e, logicamente, uvas.

E assim, absorta em meus pensamentos, fiquei a pensar no meu amigo Vandicleidson Bequembauer da Silva, caminhoneiro e Rei do Vaneirão de Braço do Trombudo, se fizesse um jantar harmonizado em sua residência lá pelas bandas de Anta Gorda.

Seriam degustados vinhos Canção e, considerando que ia ser um jantar organizado por machos, não haveria essas frescuras de entrada, primeiro, segundo e 13827º pratos. Apenas se limitaria ao buffet de boas vindas, que consistiria em asinhas de frango fritas em banha de porco, ovos de cores diversas e rollmops (*), harmonizados com aguardente Carga Rápida de Luiz Alves, e um prato único: pirão com linguiça, harmonizado com o melhor Canção tinto suave.

Vandicleidson explicaria que o vinho é um frutado com predominância de jaca e banana caturra, que remete à Casa da Mãe, famosa zona de meretrício da BR-470, onde costuma passar as noites nos braços de Thiffany Kharolyne.

(*) Pra quem não sabe, rollmops é uma conserva feita com peixe podre, cru e com as víceras, enrolado e mergulhado em uma mistura de pinga-brava e fluido de bateria. Alguns gostam de acrescentar ovos de codorna entre o peixe enrolado, cebolas, repolho e restos de lavagem. Fonte: Desciclopedia.

O Sonho de Fantine e Susan

Published by Adriana Neumann under on 1:26:00 PM
Ontem, depois da dica do meu amigo Flávio, do delicioso Hiperfocus (http://rocatti.blogspot.com), assisti a esse video, lindo e inspirador, onde Susan Boyle, a caipira que conquistou o mundo com sua voz, canta "I Dreamed a Dream", do musical Les Miserables.





Esse musical, inspirado no livro de mesmo nome de Victor Hugo, conta a história de Jean Valjean, que, depois de idas e vindas, ajuda Fantine, mãe solteira abandonada por seu amor e que vive na miséria, discriminada por todos. Aliás, pra quem não leu, Os Miseráveis é um daqueles livros que tem que ser obrigatoriamente lidos antes de morrer.

Parece até que a canção foi escolhida a dedo, não só pela sua beleza, mas pelo sentido. Nela, fantine canta o fim do seu sonho. E Susan empresta a canção para ver se realizar o seu.

A outrora bela Fantine, moribunda, padece. A antes feiosa Susan renasce, linda. Fantine nada mais espera senão sua morte. Susan vê a vida brilhar à sua frente. Duas vidas que caminham em direções opostas unidos por uma mesma canção:

I dreamed a dream in days gone by
When hopes were high and life worth living,
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving.

That I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted.
There was no ransom to be payed,
No song unsung, no wine untasted.

But the tigers come at night,
With their voices soft as thunder,
As they tear your hope apart
As they turn your dreams to shame

And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather.

I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream
I dreamed.

Estereótipo

Published by Adriana Neumann under on 12:31:00 PM
Ela acordou naquela manhã cansada e preocupada. Estivera com o marido em uma festa na noite anterior, a primeira depois de um longo período de jejum social, por conta de uma doença que lhe deixara de cama por alguns meses.

Levantou-se, deu o bom-dia de praxe ao seu marido e foi preparar o café.

Começou a lembrar dos acontecimentos recentes. Ao chegar à festa, seu marido havia aberto a porta do carro para ela sair. No salão, perfeito dândi, foi cortês com as senhoras presentes, elogiando a todas, mesmo as menos dotadas de predicados. No jantar, colocou o guardanapo de pano no colo e não arrotou. Estava elegantemente vestido e sua camisa tinha abotoaduras.

Naquele inevitável momento em que os casais se separaram - homens para um lado e mulheres para o outro -, ao se formar a rodinha masculina para falar sobre futebol, ele gentilmente se afastou para sentar-se ao lado dela e se juntar ao grupo de mulheres que conversava animadamente.

Enquanto os homens, quase no final da festa, já haviam arrancado seus paletós e suas gravatas, ele ainda permanecia impecavelmente vestido e penteado.

Todos os maridos bebiam cerveja e conservavam 'aquela' barriguinha. Ele, ao contrário, bebia quando muito um vinho, apenas para acompanhá-la, e fazia abdominais. As mulheres, por sua vez, reclamavam de seus maridos que chegavam suados e cheirando a cachaça misturada com chulé do futebol das quartas-feiras. Ela nada tinha para falar, porque seu marido odiava futebol e vivia perfumado.

Ainda naquela semana, ela havia convidado seu marido para assistir ao mais recente episódio de Law and Order - Criminal Intent e ele declinou, dizendo que filmes policiais lhe estressavam. Preferiu ir para a sala ouvir Brahms.

Enquanto estivera doente, seu marido lhe levava flores e se sentava com ela por longas horas, para - pasmem! - apenas conversar.

Seu marido não coçava o saco. Seu marido era sensível. Seu marido gostava de animais e da natureza. Seu marido cheirava bem e não enchia a cara. Usava abotoaduras.

Ela estava realmente preocupada: seu marido estava aviadando!

Já à mesa, ela quebrou o silêncio para perguntar:

- Responda rápido: que time é lider do campeonato pernambucano?

- Não faço a mínima ideia.

- Em que posição o Juninho Baiano joga: beque central ou zagueiro?

- Ué, sei lá...

Numa atitude desesperada, já com os olhos cheios de lágrimas, sem dizer uma palavra, ela o puxou para o quarto. Cinquenta minutos depois, extava exausta e com um sorrisinho bobo no canto dos lábios.

Não havia razão para se preocupar.

Beleza Interior

Published by Adriana Neumann under on 2:34:00 PM
Não é todo mundo que tem a coragem de se desnudar ante uma plateia virtual. Eu, contudo, resolvi aceitar o desafio e apresentar ao mundo a Adriana real, sem máscaras, sem coberturas nem fantasias, sem a pele que cobre nosso frágil esqueleto sequer.

Eis-me aqui:





Resultado de um singelo passeio no jardim, que faz três meses daqui a dois dias.

Anota aí meu endereço...

Published by Adriana Neumann under on 1:52:00 PM
Pra chegar na Velha, você pode ir pelo Encano ou pelo Asilo. Se resolver entrar pelo Encano, tem que subir a Tifa da Linguiça, entrar na Anta Gorda, pra dar na Trombudo Central. Pronto, você chegou na minha casa.

Vai dizer que um endereço desses não é chic... e juro, tudo isso é nome de bairro e de rua aqui na minha cidade. Lindo, não?

O dolci baci

Published by Adriana Neumann under on 9:06:00 PM



Imagine, amiga leitora, essa voz cantando ao seu ouvido... tudo bem, no ouvido não, senão ele estoura seus tímpanos...

Imagine, amiga leitora, essa voz cantando a alguns metros do seu ouvido, falando dos seus doces beijo e das suas carícias, enquanto, fremente, as suas belas formas livra do véu, pra encerrar dizendo, quase em desespero, que nunca amou tanto a vida. Ai ai suspirante... melhor que o George Clooney no comercial de Nespresso!
 

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